Quando as redes sociais se transformam em um lugar de ódio

Tida por muitos como terra sem lei, a internet traz desde seu inicio pessoas que utilizam seu espaço para discriminar outros.


Por Lucas Octaviano Cinchetto

Que as redes sociais tem seus lados positivos ninguém pode negar. Mas isso não significa que o lado ruim da interação on-line deva ser ignorado. Sem leis especificas, a internet e principalmente as redes socais, que são utilizadas para propagar ideologias que pregam ódio e discriminação. Entrevistamos o psicólogo e estudioso do facebook™, Heitor Miranda, para entender melhor o porquê desse comportamento das pessoas no universo digital.

A cantora Preta Gil já foi alvo de ataques racistas em suas redes sociais. Foto: Reprodução/Facebook

A cantora Preta Gil já foi alvo de ataques racistas em suas redes sociais. Foto: Reprodução/Facebook

UniversiTag#: Diversos comentários preconceituosos, discriminatórios ou de ódio político são encontrados com extrema facilidade. Por que as pessoas expressam esses pensamentos sem nenhum medo nas redes sociais?

Heitor Miranda: As pessoas tem poucas consequências negativas para o comportamento ao mesmo tempo que a possibilidade de ter consequências positivas aumenta, já que os algoritmos criam as tais das bolhas ideológicas e os que acessam suas publicações muitas vezes pensam igual ao outro em alguns aspectos. Logo, elas aumentam as chances de pessoas reforçarem o discurso preconceituoso. A possibilidade do anonimato e o fato de a interação ocorrer através de uma tela (você não tem acesso face a face com seu interlocutor) também exercem um papel importante.

UniversiTag#: As pessoas tem alguma noção de que o que escrevem nas redes tem influência na vida real?

Heitor Miranda: As interações são mediadas então você não tem acesso à todas as consequências do seu comportamento fora do ambiente virtual. As vezes acontece de um usuário publicar um conteúdo racista e isso acarretar na demissão dele, mas a maioria dos nossos comportamentos que acontece no ambiente virtual não permitem essa observação direta. É difícil saber se as pessoas tem noção ou não disso. Seu discurso de ódio pode produzir consequências em semanas e até anos, como é o caso desse youtuber que perdeu um contrato com a Disney por conta de declarações de ódio que ele havia compartilhado um tempão atrás.

UniversiTag#: Os usuários se comportam da mesma maneira nas redes sociais e na vida real? Por quê?

Heitor Miranda: Os comportamentos que acontecem nas redes sociais são diferentes no sentido de que é um ambiente diferente. Porém são comportamentos que, apesar de diferentes, podem ter a mesma função. Apertar um botão de curtir, apesar de não ser a mesma coisa que emitir o som “eu curti isso” causa o mesmo sentimento. Acredito que as redes sociais sejam mais um ambiente onde a gente aprende a se comportar de um jeito e não de outros. Nos comportamentos de acordo com as condições ambientais.

UniversiTag#: Mensagens de ódio podem afetar o psicológico de quem recebe essas agressões?

Heitor Miranda: Tem gente que sabe lidar com isso, tem gente que acaba ficando deprimido, ansioso. É difícil dizer com exatidão. Mas é importante denunciar quando ocorrer algum crime, procurar uma rede de apoio e buscar desenvolver resiliência para enfrentar os comentários ruins que inevitavelmente vão aparecer se você for uma pessoa pública.

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