Repressão e censura contra jornalistas cresce em todo o Brasil

Polícia Militar e políticos são apontados como principais responsáveis pela violência contra mídia

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Sede da Mídia Ninja sofre ataque da PM (Portal Vermelho)

Por Letícia Sartori

Muito se discute sobre a censura e repressão que a mídia brasileira sofria durante a época da ditadura militar no país, mas será que a situação atual é tão diferente do que foi no passado?

O Artigo 220 da Constituição de 1988, que atualmente rege as políticas do Estado Brasileiro, determina que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição” e veda toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. Mas a realidade parece se mostrar muito diferente do que a lei determina.

Uma rápida pesquisa virtual com os termos “censura, jornalismo, polícia, 2016” abre um leque de dez casos diferentes de repressão policial contra jornalistas somente na primeira página. E os dados concretos mostram uma realidade preocupante. O relatório de violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil feito anualmente pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) aponta que a violência contra profissionais da imprensa cresceu e 17,52% em 2016 se comparado ao ano anterior. Foram contabilizados 220 casos de violência e sete assassinatos, dois jornalistas e cinco comunicadores, em todo o território nacional.

Maria José Braga, dirigente nacional da Fenaj, discorre sobre o tema. “Apesar dos números alarmantes, temos a impressão de que os dados são subestimados. Muitos casos não se tornam públicos, pois o jornalista tem medo de se expor ao denunciar quando é vítima de violência. Identificar os casos de censura também ainda é um desafio. No relatório, são poucos, mas sabemos que esse número é muito maior”. A fala foi dita durante uma apresentação no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.

A maior parte dos ataques a jornalistas é feita por policiais. Segundo dados do relatório, 25% das agressões partiram da Polícia Militar e Guarda Civil. Em janeiro de 2017, a Casa Fora do Eixo Amapá, que serve de sede para a Midía Ninja da cidade de Macapá, foi invadida por policiais militares que, sem mandato judicial, entraram no local e agrediram as pessoas ali presentes.

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