Sem cinzas

Para re-olhar Bauru

Por Giovana Amorim

Prédio, asfalto, cimento, concreto. Tudo isso junto às estruturas metálicas e encanamentos, chaminé e pneu, borracha queimada, cheiro de gasolina. É como se a poeira e o pó que sobe da areia engasgassem nossas gargantas – um punho duro boca adentro – como milhares de outdoors no horizonte, centenas de antenas e para-brisas, portões fechados e placas frias.

Cenário desesperador, parece, é esse chamado urbano. A sensação de ansiedade é constante, a depressão aumenta, o peso do trabalho recai nas cabeças. Parece que as paredes se fecham sobre todos na cidade. Com seus semáforos, fica difícil não seguir as faixas retas, lisas, sem outra forma. Ou textura. Ou cor.

É aí que uma arte urbana se destaca. Ela pode te abraçar ou te deixar desconfortável, mas sair do padrão já expande o horizonte. O grafite, a pixação, o grito das ruas. É uma mensagem pra você. Ei você! Que nunca virou o pescoço para ver uma integração poética entre os símbolos racionais e o sentimento puro, abrindo uma válvula para escapar, entrar em outro mundo. Vinda da periferia, esse tipo de expressão é um respiro de alívio e sobrevivência pra quem morre todo dia na máquina da rotina.

Escute os muros. Eles contam coisas.

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