O drama da Venezuela

Crises política e econômica colocam em xeque a habilidade política de Maduro

Por Ana Brandão

Oposição tem feito frequentes protestos contra Maduro (Foto:Reprodução)

Em 2013, Nicolás Maduro se elegeu presidente da Venezuela. O povo demonstrava estar a favor da continuação do projeto chavista.

O governo se deparou com uma situação pouco confortável dois anos mais tarde. O partido de oposição Mesa de la Unidad Democratica (MUD) elegeu um maior número de deputados.

A divergência entre Executivo e Legislativo e a incerteza em relação à habilidade de Maduro em conduzir o país criaram as condições ideais para o surgimento da crise política.

A situação de instabilidade política alcançou seu auge em março de 2017 quando Maduro transferiu os poderes do Parlamento para o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), de maioria chavista.

A Venezuela também enfrenta uma grave crise econômica. A dependência da exportação do petróleo expõe o país a sucessivas recessões econômicas devido à queda da cotação internacional.

Especialistas apontam como fracasso do projeto chavista a não concretização de uma diversificação econômica no país. A professora de Relações Internacionais, Carolina Silva Pedroso, concorda com tal avaliação: “Chávez fez um esforço para diminuir a dependência petroleira, investindo em indústria de base e em cooperativas agrícolas. Tais políticas chegaram a surtir efeito e em 2005, as atividades econômicas não petroleiras chegaram a ultrapassar as petroleiras em termos de contribuição para o PIB. Mesmo assim, a manutenção dos altos preços desse produto foram ainda mais relevantes e condicionaram a economia venezuelana a sobreviver de renda, desestimulando setores econômicos efetivamente produtivos”.

A crise econômica representa um entrave para a concretização dos projetos sociais. Os recursos da exportação do petróleo financiavam esses projetos. Outro problema é o desabastecimento de produtos de primeira necessidade e medicamentos no país.

O abalo na qualidade de vida dos venezuelanos e a instabilidade política têm levado à oposição às ruas. Pedroso acredita que a ascensão da oposição pode levar a Venezuela a uma situação semelhante à do Brasil: “A ascensão da oposição majoritária (de centro e direita) representaria um aprofundamento da agenda neoliberal. Será inevitável que, saindo Maduro, esse tipo de política seja implantada, pois é o que se espera desses grupos que lideram os protestos”, avalia a pesquisadora.

No futuro uma maior integração latino-americana poderia dar suporte a países em situação semelhante à venezuelana. O doutor em História, Marcos Sorrilha acredita nessa possibilidade: “Caso fosse pensada uma integração latino-americana a longo prazo, seguindo o modelo Europeu, isso poderia gerar uma estrutura capaz de proteger as economias locais, um sistema de crédito interno e uma maior circulação de riquezas”.

O presidente convocou no dia primeiro de maio de 2017 uma Assembleia Nacional Constituinte com o propósito de aprovar uma nova Constituição, dando sinais de que pretende frear a crise política.

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