O que esperar da Coreia do Norte

País asiático já tem capacidade bélica de atingir Coreia do Sul e Japão 

Por Ana Brandão

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou no dia 2 de junho de 2017 sanções à Coreia do Norte em resposta às sucessivas investidas do país em dar prosseguimento ao seu projeto nuclear. As sanções devem ser aplicadas a 13 funcionários de alto escalão, um chefe de espionagem e quatro empresas norte-coreanas.

A aplicação de sanções ao país asiático parece não diminuir as pretensões de Kim Jong-un. O ditador considera as punições como uma agressão ao seu direito de autodefesa.

Pyongyang se defende não apenas no plano militar, mas também no plano político. A doutoranda em Relações Internacionais, Raquel Gontijo, acredita na avaliação de que existe um receio por parte do país asiático de uma possível intervenção dos Estados Unidos: “O grande investimento da Coreia do Norte em armamentos nucleares e mísseis balísticos é, ao menos em parte, motivado pelo medo de Kim de que os Estados Unidos lancem uma campanha de mudança de regime, como fizeram no Iraque e na Líbia, por exemplo. Esses armamentos são, de certa forma, uma proteção contra a interferência externa”.

Uma postura mais incisiva de aliados econômicos poderia senão frear pelo menos diminuir o avanço do programa nuclear norte-coreano. Nesta perspectiva, a China é vista como personagem central. O país é um dos principais importadores de carvão da Coreia do Norte. Para o especialista em Segurança Internacional com ênfase na região Ásia/ Pacífico, Paulo Watanabe, o apoio da China na aprovação das últimas sanções parece ser o caminho certo: “A melhor forma de diminuir as tensões vindas da Coreia do Norte é isolá-la, principalmente com a ajuda da China. Para a China, pode ser interessante manter a Coreia do Norte próxima e ‘rebelde’, uma vez que é o único ponto na Ásia que os EUA não conseguem resolver com seus aliados, Japão e Coreia do Sul. Enquanto Pyongyang estiver ameaçando a comunidade internacional, o papel da China é fundamental e decisivo”.

A capacidade bélica da Coreia do Norte é questionada, principalmente pelo fato do país não possuir um número expressivo de ogivas nucleares e por não ser uma grande potência militar. Watanabe descarta a possibilidade de uma guerra nuclear

Estados Unidos tenta frear o país asiático (Foto: Reprodução)

, porém o mundo deve manter-se atento: “A possibilidade de uma guerra nuclear é muito baixa, o problema de fato é causar um conflito localizado, mexendo com as potências regionais. Isso já é um fator de preocupação”.

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