O tortuoso caminho rumo à paz

Governo colombiano e as Farc enfrentam dificuldades para cumprir o acordo

Por Ana Brandão

Governo colombiano deve mostrar ao mundo que tem capacidade de conduzir o processo de paz (Foto: Agência EFE)

Em 2016, a Colômbia deu um importante passo em direção à paz. O presidente Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinaram um acordo com a intenção de colocar fim ao conflito de maior duração da América Latina.

O acordo de paz está envolto em polêmicas que se iniciaram antes mesmo da sua aprovação. Em outubro de 2016, a população colombiana votou contra a implementação do acordo, contrariando previsões que apontavam a vitória do “sim”.

O governo descartou a realização de um outro plebiscito. O acordo inicial passou por uma reformulação e o texto foi mandado diretamente ao Congresso.

O novo texto ainda contém pontos polêmicos como a entrega de armas e, principalmente, a participação política das Farc na Colômbia. O grupo guerrilheiro tem assegurado o direito de ocupar dez cadeiras no Congresso. O colombiano residente no Brasil há quase quatro anos, Julian Naranjo, enxerga como essencial a incorporação das Farc na vida política do país: “Não poderia ter havido acordo sem essa possibilidade. Um acordo precisa de concessões e as Farc, como organização, tem demandas. O pacto de paz conseguiu passar para o campo político uma guerra que dura mais de 50 anos”.

Para alguns especialistas, além da questão da diminuição da violência o acordo trará benefícios para a população colombiana em outras esferas. O historiador com experiência em América Latina, José Luis Bendicho Beired, concorda com tal avaliação: “Trata-se do conflito armado mais longo da América Latina e do mundo que produziu enorme sofrimento às populações atingidas e que atemoriza diariamente a maioria dos colombianos. O conflito constituiu-se como um entrave para o desenvolvimento social e econômico do país”, avalia o historiador.

O fim do conflito não significa a resolução de todos os problemas do país. Naranjo atuou em projetos voluntários na Colômbia voltados para a população em situação de vulnerabilidade e percebeu como grave problema a ausência do Estado em áreas essenciais: “Populações sem oportunidades viraram alvo fácil do narcotráfico e as Farc foram uma presença ‘institucional’ nesses territórios. Sem a presença efetiva o Estado, sem saúde e educação, a mesma população fica desprotegida e suscetível”.

O prazo para a entrega de armas foi descumprido pelas Farc e órgãos envolvidos no processo de paz apontam violações de ambas as partes.

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