Equipes FEB Racing e PAC Baja aproximam alunos do mundo automobilístico

A emoção dos paddocks dentro da Unesp

Por Bruno Gomes

Protótipo usado pela FEB Racing na Fórmula SAE Brasil 2016 (Foto: Divulgação)

Quem acompanha o universo automotivo sabe que existem muitas equipes nas mais diversas categorias, como a Ferrari na Fórmula 1, Peugeot no Rally Dakar, Penske na Fórmula Indy, apenas para citar algumas, cada uma com suas peculiaridades. Muitos apaixonados por carros sonham em fazer parte de uma equipe, seja cuidando da administração ou do veículo em si. E, felizmente, os estudantes do campus da Unesp de Bauru (principalmente aqueles da Faculdade de Engenharia, a FEB) podem sentir essa realidade, ficando mais próximos do mercado de trabalho.
As equipes de corrida FEB Racing e PAC Baja são projetos de extensão onde os participantes constroem protótipos que serão testados em seus limites máximos dentro de duas competições de nível nacional: a Fórmula SAE Brasil (no caso da FEB Racing) e a Baja SAE Brasil (disputada pela PAC Baja), ambas coordenadas pela divisão nacional da Society of Automotive Engineers (Sociedade dos Engenheiros Automotivos, ou simplesmente SAE).

Protótipo da Equipe PAC Baja em ação (Foto: Divulgação)

A equipe PAC Baja é a mais antiga, tendo sido criada há pouco mais de vinte anos, em 1996, por intermédio dos estudantes. Mas acabou não sobrevivendo por falta de continuidade. Segundo Gabriel Burman, aluno do quarto ano de Engenharia Mecânica da Unesp de Bauru e capitão da PAC Baja, a equipe passou por vários ciclos, no qual “uma equipe entrava, aprendia e construía, e depois acabava se desmanchando.”

Não é o caso da FEB Racing, que é um projeto recente e está na ativa até hoje, como explica Gustavo Merola, estudante do quinto ano de Engenharia Mecânica e atual capitão da equipe: “o projeto surgiu em 2012 a partir da vontade de alunos do primeiro ano de Engenharia Mecânica que, após conhecerem os programas estudantis da SAE (Baja e Aerodesign já existentes no campus), se interessaram pelo Fórmula e decidiram dar início à criação da equipe, que começou os trabalhos de forma oficial em 2013”.
Estruturação
Toda equipe de automobilismo deve ter suas funções bem definidas. No caso das equipes da Unesp de Bauru, essas funções são divididas em diretorias: onze na PAC Baja e dez na FEB Racing. Além disso, elas são lideradas por um capitão que acompanha e orienta os demais membros, além de tomar as principais decisões e ser o principal meio para contatos externos (professor orientador, Universidade e sociedade). O capitão também se relaciona com o diretor administrativo e o diretor de projeto, responsáveis por suas respectivas diretorias.
Em relação a FEB Racing, a diretoria administrativa se divide em:
Diretoria de Finanças: Controle de fluxo de caixa, captação de recursos, prospecção de patrocínios (juntamente com Marketing) e elaboração do Relatório de Custos e Business Plan Presentation (competição).
Diretoria de Gestão de Pessoas: Capacitação de membros, avaliação de rendimento e frequência de membros, promoção do bem-estar no ambiente de trabalho.
Diretoria de Qualidade: Estudo e implementação de ferramentas de gestão de projeto, indicadores de desempenho, melhora do ambiente de trabalho (oficina/escritório).
Diretoria de Marketing: Imagem da equipe, divulgação em mídias sociais/site/canais externos, prospecção e manutenção de patrocínios.
Já a diretoria de projeto, responsável pelo veículo, é composta da seguinte forma:
Aerodinâmica: Responsável pelo estudo da aerodinâmica do veículo, construção da carenagem, asas, aerofólios, difusor e demais elementos aerodinâmicos.
Dinâmica: Envolve as partes de suspensão, direção e pneus.
Freio: Responsável pelo dimensionamento do sistema de freio do veículo.
Elétrica: Implementação dos sistemas de telemetria, gerenciamento do motor à combustão, painel do piloto, troca de marcha semiautomática e sensoriamento nas demais áreas do carro.
Estruturas: Construção do chassi, atenuador de impacto, estudo de ergonomia (cockpit) e demais elementos estruturais do veículo (suportes).
Motor: Estudo, calibração e melhora do desempenho do motor além do dimensionamento dos sistemas de admissão e escape do motor.
Transmissão: Dimensionamento dos elementos de transmissão da potência do motor para as rodas: Diferencial/Spool, corrente, semieixo.
No caso da PAC Baja, as diretorias administrativas são idênticas as da FEB Racing (finanças, gestão de pessoas, qualidade e marketing). As únicas diretorias de projeto diferentes são as de cálculo estrutural, chassi, suspensão/direção e design, ao invés de estruturas, aerodinâmica e dinâmica, respectivamente (a diretoria de design é exclusiva da PAC Baja).

Parte da equipe da FEB Racing durante workshop realizado em abril de 2017 (Foto: Divulgação)

Dificuldades
Por outro lado, nem tudo é perfeito. Ambas as equipes também passam por dificuldades. Para Gustavo Merola, capitão da FEB Racing, o principal entrave está na “questão financeira, em muito por se tratar de uma equipe nova ainda se estruturando, e gestão do conhecimento, ou seja, a passagem do conhecimento dos membros mais antigos para os mais novos (rotatividade grande de membros)”. A equipe PAC Baja também passa por problemas semelhantes, como relata seu capitão, Gabriel Burman: “desde o projeto e construção do carro, a captação de recursos necessárias para construção e teste do projeto, são dificuldades inerentes ao Baja”.
Perspectivas para o futuro
Em geral, as duas equipes obtiveram bons resultados nas competições que disputam. Na última edição nacional do BAJA SAE Brasil a equipe de Bauru chegou na 35ª posição dentre 88 equipes. Na edição regional o desempenho foi melhor: sétimo lugar entre trinta equipes. Já a FEB Racing, na edição 2016 da Fórmula SAE Brasil, alcançou sua melhor colocação em três participações: 22º lugar dentre quarenta equipes diferentes.
Para a edição regional 2017 do BAJA SAE, que ocorrerá entre os dias 18 e 20 de agosto, Gabriel diz que a expectativa para a equipe PAC Baja é de “terminar novamente entre os 10 primeiros colocados da região sudeste”.

Equipe PAC Baja participou em junho de 2017 de um workshop sobre programação neuro-linguística promovido pelas empresas-júnior Pro Junior e Interage (Foto: Divulgação)

A realidade é outra na FEB Racing, cujo resultado alcançado em 2016 não foi o esperado. De acordo com Gustavo, “neste ano o foco foi a reestruturação da diretoria administrativa da equipe para que fosse também possível um melhor desempenho da parte técnica do projeto”. Espera-se que a FEB Racing se estabeleça entre as dez melhores equipes nacionais na edição 2017 da Fórmula SAE Brasil, que será disputada entre 30 de novembro e 03 de dezembro em Piracicaba, no interior do estado de São Paulo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s