Caçadores de Tardígrados

Embora sejam microscópicos, os “ursos d’água” conquistaram fãs em todo o mundo

Bárbara Pungi Villela

Tudo começou quando Mike estava ajudando sua filha em um projeto de ciências da escola. “Eu li sobre estas criaturas incomuns e decidi pesquisar mais sobre elas em minha região (Nova Jersey, EUA). Por cerca de dez anos eu procurei e coletei informações, então finalmente publiquei um artigo científico sobre este estudo”, ele conta.

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Em seu site, Mike escreve sobre tardígrados, e inclusive ensina como criá-los (Créditos : Arquivo Pessoal)

Desde então, ele publicou dois livros e criou um site, em que dá dicas de como encontrar e cuidar dos tardígrados. Enquanto fala sobre esses pequenos seres, em momento algum ele tenta disfarçar sua admiração por eles.

“Tardígrados são fascinantes porque têm um olhar meigo, como ursinhos com 8 pernas  e  se movem lentamente, assim podemos observá-los através do microscópio com muita facilidade. Além disso, eles suportam temperaturas extremas de congelamento e de ebulição, raios X e luzes  ultravioletas, até mesmo no vácuo do espaço, e  sobrevivem!”.

Segundo o pesquisador, é difícil criar os animais, mas com a ajuda de um microscópio é possível encontrar seus ovos com grande facilidade. Há pouca bibliografia sobre o assunto, logo o melhor meio para o encontro e a pesquisa de estudos destes seres continua  sendo a internet. Mike divulga o seu trabalho em dois sites aqui  e aqui.

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Mike se encanta pelo poder de resistência dos tardígrados (Créditos: Mike Shaw)

Uma paixão

Os tardígrados possuem admiradores em vários países, inclusive no Brasil. Tiago J. Tchorney e seu amigo Eduardo Komochena, são artistas e criaram um chaveiro em homenagem aos animais.

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Tiago e Eduardo ficaram amigos por causa do Tardígrado e criaram um chaveiro em homenagem ao ser microscópico (Créditos: Tiago Tchorney)

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Chaveiro criado por Tiago e Eduardo (Créditos: Tiago Tchorney)

Jael Palhas, investigador no CIBIO ( Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos) da Universidade do Porto, conheceu os tardígrados através da edição portuguesa da  revista Superinteressante. “Passei meses tentando ver um, mas nunca consegui e desisti. Há dois anos o congresso mundial sobre tardígrados foi em Portugal e eu pude assistir. Aprendi muito sobre eles lá e fiquei com o contato de algumas pessoas que os estudam. Assim, quando preciso de mais informações, pergunto aos especialistas. Comprei alguns livros sobre tardígrados (em inglês). Nunca encontrei nada em português para divulgação destes animais”.

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Jael é pesquisador autodidata de tardígradas (Créditos: Arquivo Pessoal)

Agora, Jael pretende realizar visitas a lugares de Portugal que possuam condições ideias para a proliferação dos tardígrados, para usar em um projeto em que possa usar os animais para explicar as adaptações dos seres vivos a condições mais severas de existência.

A escolha do local do curso é uma serra calcária localizada no centro de Portugal: “Nessa zona há muita umidade no inverno, mas no verão é tudo muito seco e há muitos habitats úmidos temporários, muitas áreas cobertas de musgos. Mas quem visita a área no verão nem repara nisso. O objetivo era esta interpretação sobre tardígrados integrar um percurso interpretativo que fala sobre as adaptações dos seres vivos que habitam essa serra para conseguirem viver na ausência de água. Assim lembramos de incluir um módulo sobre os tardígrados e a vida nos musgos e a criptobiose. Quando funcionar, qualquer pessoa pode participar.Se por um lado a ideia é divulgarmos os tardígrados, por outro lado queremos usar estes animais fascinantes para levar as pessoas a refletirem sobre muitas outras coisas: água, sobrevivência, habitats aquáticos temporários, adaptações à seca, etc.”, explica.

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