Mercado controverso de games no Brasil

Realidade do desenvolvimento nacional e recepção dos jogos brasileiros

Por Tomio Komatsu

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The Crown Stones: Mirrah, jogo em desenvolvimento pela equipe brasileira Frater Studio. Imagem: Divulgação.

Para quem gosta de games, trabalhar com desenvolvimento de jogos eletrônicos não é mais um sonho distante e para poucos, como nos anos 80 e 90, e é uma alternativa viável de renda em meio a crise.

De acordo com a Newzoo, a principal agência de levantamento de dados no setor de videogames, a indústria fechou o ano de 2016 movimentando US$ 99,6 bilhões, números que só aumentam a cada ano, e com perspectiva de crescimento garantida para até, pelo menos, 2019. Só o Brasil contribui com US$ 1,6 bilhão em 2016, ainda segundo a agência.

Embora os números sejam animadores e o governo demonstre ares acolhedores aos desenvolvedores brasileiros, não há nada que possa desmentir quem já está inserido nesse mercado, e sente na pele as dificuldades do cotidiano no desenvolvimento de games no Brasil.

Para Murilo Franco, bauruense diretor de arte da Frater Studio, conta que, para driblar a falta de incentivo financeiro, está organizando um projeto de financiamento coletivo (crowdfunding, com plataformas como o Kickstarter) para conseguir finalizar seu game, The Crown Stones: Mirrah.

A opinião dos consumidores brasileiros acerca dos jogos nacionais também não é das melhores. Para o gamer Paulo Ziro, de Leme-SP, se o jogo é bom, tem respaldo internacional, independente de sua origem. Paulo conta ainda que há dois tipos de preconceituosos, “os que acham o jogo ruim só por ser brasileiro, e os que acham que o jogo não pode sofrer críticas muito duras por ser brasileiro.” Para Eric Alcantara, de Curitiba-PR, esse mercado não é expressivo. ”Não jogo e nunca joguei nada brasileiro, não sou muito interessado e não acho que sejam competitivos [com o mercado internacional]. Porém, se me derem algo do tipo para testar, eu jogo, e é difícil eu não gostar.”

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Chroma Squad, outro jogo premiado, da brasileira Behold Studios. Imagem: divulgação

Dotado de títulos e talentos de qualidade, mas impedido de evoluir em grande escala por insuficiência no investimento e apoio de seu próprio país, o mercado brasileiro de games se vê como uma grande incubadora, que sabe de seu potencial, mas não sabe quando verá o dia em que vai andar com as próprias pernas. Cada vez mais produtos e profissionais são exportados para outros países, ao tempo em que o Brasil é dominado por produtos estrangeiros – como em quase todos os outros setores.

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