O que a Nova Rota da Seda representa para o mundo?

Megaprojeto suscita dúvidas sobre as reais intenções da China

Por Ana Carolina Brandão 

A Nova Rota da Seda também conhecida como “Um Cinturão, Uma Rota prevê a construção de uma vasta rede de infraestrutura. O projeto chinês foi anunciado em 2013 pelo presidente Xi Jinping e é considerado uma das prioridades da administração chinesa em assuntos exteriores.

O ambicioso projeto envolve mais de 60 países de continentes como Ásia, Europa e África e tem como principal objetivo a ampliação de canais terrestres e marítimos. Portos e estradas, ferrovias de alta velocidade e redes de internet serão construídos com a cooperação chinesa.

Entre os objetivos o governo chinês com a execução do programa, destacam-se: o desenvolvimento de províncias mais pobres localizadas no oeste do país, a obtenção de contratos no exterior para as empresas de infraestrutura chinesas como alternativa ao mercado interno já saturado e a criação de novos mercados na Ásia Central, região dominada economicamente pela Rússia.

A concretização do programa pode significar uma remodelagem da economia mundial segundo o professor do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Marília, Marcos Cordeiro Pires: “A Iniciativa ‘One Belt, One Road’ poderá representar um ponto de viragem na economia e na política internacional, visto que busca ampliar a infraestrutura e a conectividade na massa de terra mais extensa do planeta e onde se concentra a maior parte da população mundial. O sucesso da iniciativa chinesa poderá oferecer ao sistema econômico um novo espaço de expansão e um novo polo de desenvolvimento produtivo e tecnológico cujo centro será a China”.

A ideia defendida pelo presidente é resgatar o prestígio do país asiático, igualando a importância da China na Ásia a importância dos Estados Unidos no Ocidente. Para o doutor em Relações Internacionais e professor substituto do curso de Relações Internacionais da Unesp em Araraquara, Gustavo Erler

Ambicioso projeto chinês apresenta ao mundo em 2013 ainda suscita dúvidas . Fonte Roberta Jaworski/ G1

, a maneira como o projeto será desenvolvido deve ser questionado: “É necessário considerar como esses capitais serão utilizados, quais os impactos sociais, ambientais ou mesmo econômicos que os investimentos financiados pelos chineses trarão aos países receptores. Haverá compartilhamento de tecnologia? A execução dos projetos está vinculada à contratação de empresas chinesas? Haverá efeitos multiplicadores para o país receptor ou o investimento serve apenas ao apetite chinês por energia e matérias-primas repetindo padrões de exploração já realizados pelas potências anteriores? ”, avalia o doutor.

Previsões do governo chinês apontam a concretização da Nova Rota da Seda em 2025.

 

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