Audiodescrição: uma maneira acessível de enxergar

Projeto de extensão da Unesp amplia o acesso à informação para deficientes visuais

Por Bruno Gomes

Visita dos integrantes do Biblioteca Falada ao Lar Escola Santa Luzia para Cegos de Bauru em junho de 2017 (Foto: Facebook Biblioteca Falada)

Pelo menos 6 milhões de brasileiros possuem deficiência visual, segundo dados da Fundação Dorina Nowill. E com isso, existe também a falta de acessibilidade. Mas com o objetivo de facilitar o acesso à informação para esses deficientes, um projeto de extensão da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Unesp de Bauru produz conteúdos em áudio para informar, entreter e auxiliar na educação dessas pessoas que perderam a visão.

Tendo início no ano de 2004 por iniciativa do professor João Batista Chamadoira Neto, o projeto “Biblioteca Falada” tinha como objetivo inicial a narração de clássicos literários e matérias de jornais e revistas para os membros do Lar Escola Santa Luzia para Cegos (LESL) da cidade de Bauru. Chamadoira se aposentou em 2013 e a coordenação do projeto ficou a cargo da professora Suely Maciel. Além da narração de livros, jornais e revistas, os integrantes também passaram a produzir conteúdos originais, como documentários sonoros sobre artistas, cantores, personagens do esporte, etc.

Fachada do Lar Escola Santa Luzia para Cegos em Bauru (Foto: teatronovavida.wordpress.com)

Ainda em 2013, o projeto começou a realizar a audiodescrição de imagens, vídeos, páginas de redes sociais e personagens da teledramaturgia brasileira. Atualmente, o Biblioteca Falada também faz a narração de apostilas de cursos e livros didáticos e possui um site com todos os conteúdos produzidos até hoje.

Uma das integrantes há mais tempo no programa (desde o início de 2014), a estudante de psicologia da Unesp Bruna Pádua, de 24 anos, é responsável pela Gestão de Pessoas do grupo e entrou no projeto pois ele “integra conhecimento teórico-prático sem perder de vista o compromisso com a comunidade, dando retorno à ela, possibilitando o intercâmbio de conhecimentos e enriquecimento do fazer universitário”. Para ela, o diálogo comunidade-universidade é imprescindível para o desenvolvimento acadêmico, social e cidadão dos alunos que fazem parte do Biblioteca Falada.

Estruturação

Assim como a maioria dos projetos de extensão, o Biblioteca Falada possui organização própria para desempenhar seu trabalho. De acordo com Bruna, “o projeto sofreu uma reformulação importante ao que diz respeito à estrutura e processo de produção, ampliando não apenas a equipe, mas também a qualidade das produções em áudio”. Hoje, a equipe do Biblioteca é formada por 44 membros, incluindo colaboradores externos que auxiliam com suporte técnico e produções.

Bruna também diz que o trabalho visa a multidisciplinaridade e a ajuda mútua entre seus participantes. Assim, como forma de organização administrativa, o projeto é dividido em equipes de trabalho. “Neste sentido, há o intercâmbio de conhecimentos entre as equipes e o diálogo com vistas na produção conjunta do material em áudio”, explica.

Ainda segundo ela, o principal objetivo do Biblioteca Falada é “aumentar o repertório informativo, cultural e de entretenimento de pessoas com deficiência visual, assim como possibilitar aos alunos que fazem parte dele o maior contato com conceitos referentes à inclusão e acessibilidade cultural e o aprofundamento do conhecimento quanto à produção de mídia sonora”. Além de atender aos alunos do Lar Escola Santa Luzia, o projeto também atende as demandas de qualquer pessoa com deficiência visual que entre em contato pela página do Facebook, e-mail ou falando diretamente com os membros.

Os materiais em áudio são produzidos da seguinte forma: após as demandas serem recolhidas, elas são passadas para as equipes de produção e o material seguirá o seguinte percurso: roteirização, locução e edição. Já as audiodescrições são produzidas por uma equipe específica que, de acordo com a estudante de psicologia, “realiza de maneira integral os processos de suas produções, ou seja, esta equipe é responsável pela roteirização, locução e edição audiovisual de todo conteúdo de audiodescrição que é solicitado a nós”.

O Biblioteca Falada também tem se destacado em importantes eventos locais, como a XVIII Jornada Multidisciplinar e a 4ª Jornada de Direitos Humanos, ambas realizadas na Unesp de Bauru, com a apresentação de trabalhos de extensão e do projeto em si.

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