MORADORES DE RUA EM SÃO PAULO SÃO ACORDADOS COM JATOS DE ÁGUA FRIA

Prefeitura também anunciou medida que oferece passagens para pessoas em situação de rua deixarem a cidade

Por Renan Dercoles

Em julho desse ano, alguns moradores de rua da região da Sé, em São Paulo, reclamaram que os funcionários que fazem a limpeza das praças e vias públicas da região estavam molhando lugares próximos onde as pessoas em situação de rua dormem. Foi o período mais frio do ano e a temperatura na região da Praça da Sé chegou a marcar 10 graus quando o caminhão da empresa terceirizada contratada para executar a limpeza no local começou a jogar jatos d’água nas calçadas, acordando quem dormia por lá.  “Não dá nem tempo de levantar. Quando eles chegam, molham as coisas. Meu cobertor ficou encharcado. Sempre que isso acontece, a gente perde tudo”, afirmou um morador de rua que não se identificou.

O grupo também reclamou que as vans da administração municipal que transportam moradores para abrigos têm poucas vagas. Apenas cerca de 20 pessoas conseguem as vagas toda noite para dormir no abrigo próximo à Praça da Sé, sendo que apenas na região existem mais de 100 pessoas dormindo na rua. O prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak, afirmou que iria apurar o procedimento e que a orientação é para que as equipes sempre abordem os moradores de rua antes de começar a limpeza. Porém até agora não houveram novos posicionamentos da subprefeitura.

Em outra medida paliativa, a Secretaria Municipal de Assistência Social de São Paulo quer pagar passagens de volta aos locais de origem de pessoas em situação de rua ou usuários de drogas na capital. Algumas estariam sendo influenciadas para voltar as suas cidades ao contrário do que diz o secretário Filipe Sabará. Segundo ele, apenas quem manifestar o interesse em deixar a cidade terá a situação avaliada pelo governo municipal. Para o coordenador da Pastoral de Rua da Igreja Católica, padre Júlio Lancelotti, o retorno de pessoas em condição de vulnerabilidade a suas cidades ou Estados de origem “precisa ser uma alternativa, e não a alternativa única dada para as pessoas”.

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