Toda cor: um ensaio sobre luz, formas e tons

Por Giovana Amorim 

Nada como a luz. Nada como a luz sobre as calçadas vazias. Nada como a luz sobre as calçadas, e os carros e os pequenos pássaros passando pelo vão entre uma parede e a outra do quintal do fundo. Nada como a luz evidenciando qualquer tom de rosa e verde e roxo ou aqueles confusos dos cantos dos olhos, a luz sobre as poças d’água, a luz nos muros pixados. Nada. Nada como a luz sumindo de longe num céu furta-cor- vermelho pegando fogo pela janela do ônibus. E os senhorzinhos das 17h nos pontos, todos debaixo da luz, nada como as folhas mortas e as frutas podres preto arroxeadas no meio do mato seco, meio cobre, meio quebrando de cinza. Nada como os pés sujos do meu colega de casa no sofá que era azul, será? Buracos de brasa nas almofadas, nada como a luz do isqueiro e o sol na fumaça, nada como os postes acesos na tempestade das 13h, nada como o vizinho brilhando de suor debaixo da luz da lua, do poste na esquina. Sem luz não há nada. Nada como poder entender nas cores os mundos, todos, escondidos em camadas nos pedaços de tudo.

 

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