O CINEMA NA PANDEMIA

Cinemas fechados e produções paralisadas, entenda como a indústria cinematográfica está lidando com a quarentena

Por Gabriel Soldeira

O Covid-19 afetou fortemente a indústria cinematográfica mundial. A pandemia mudou a forma com que se consome o cinema e trouxe dilemas para os grandes estúdios que tiveram que adiar estreias de produções milionárias e se adaptar a atual crise. Sem previsão concreta de pleno retorno, os cinemas estão de portas fechadas ou trabalhando com sérias limitações no mundo todo.

Em busca de minimizar a crise e se aproveitar de novas tendências, vários filmes estão indo para sistemas de locação on-line em que se paga para assistir a produção por uma quantidade pré-determinada de dias, o chamado On demand.  Além dos cinemas fechados, a adaptação ocorre para se aproveitar do grande crescimento dos serviços de streaming durante a quarentena. Segundo a associação americanas de plataformas de entretenimento, os gastos com vídeos On demand cresceram 48% em março de 2020 se comparado com o mesmo período em 2019.

Trolls 2 talvez seja a estreia mais expressiva no On demand batendo record e fazendo mais de 100 milhões de dólares|Imagem:Divulgação Dreamworks 

Segundo Rafael Palone,  jornalista que produz conteúdo sobre cinema, várias dessas estreias em aluguel digital não vêm para o Brasil pois esse serviço ainda não é muito popular no país. No lugar disso, a maior parte dessas produções chegarão nos cinemas brasileiros após a reabertura das salas.

Outra face das estreias em streaming é o fato de vários filmes Blockbusters estarem sendo adiados para depois do fim da quarentena por precisarem de um retorno financeiro maior para obterem lucro, o que poderá causar um acúmulo de grandes estreias com a reabertura dos cinemas. Diante desse cenário, os estúdios trouxeram as suas produções menores para o ciberespaço.

O próprio Oscar alterou suas regras para que filmes que não passaram em salas de cinemas possam concorrer aos prêmios, dando assim uma maior possibilidade de reconhecimento para filmes originais de serviços de streaming, o que já é uma tendência da premiação que indicou produções como “O irlandês” e “História de um casamento” em várias categorias, mas sem nenhuma vitória.

Outro lado do setor que está sofrendo com a pandemia são as salas de cinema, principalmente as de bairro que já vem sofrendo nos últimos anos com os estabelecidos cinemas de shopping que pertencem a grandes redes. Sem apoio governamental, vários cinemas históricos podem fechar as portas por tempo indeterminado, além de não poderem abrir no momento essas salas são conhecidas por passar filmes de menor orçamento e mais distantes do circuito comercial mais popular. Rafael observa que o público terá que escolher melhor os filmes que verá no cinema pós-pandemia e provavelmente filmes menores que não dependem tanto da “experiência cinematográfica” podem chamar ainda menos pessoas aos cinemas menores.

Cine Drive-in de Brasília, era um dos últimos do país e já voltou a funcionar na quarentena |Foto: Reprodução

Porém alguns cinemas estão pensando em formas de continuar vivos na quarentena, como o Cine Belas Artes em São Paulo que já passou por momentos difíceis e teve que fechar as portas algumas vezes. Esse cinema disponibilizou um catálogo de filmes para ver on-line além de ter aberto como cinema drivein, sistema que se mostrou viável e vem se popularizando novamente durante a quarentena.

Mesmo sendo extremamente afetada pelo Covid-19 a indústria cinematográfica já está voltando a se movimentar. Alguns filmes que tiveram as produções paralisadas, como Missão Impossível 7 e The Batman estão voltando a ser filmados. O cinema movimenta bilhões de dólares e retrata com maestria a época em que está inserido, certamente seguirá em frente porém não sabemos quanto as mudanças causadas pela pandemia terão impacto no pós-quarentena.

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